Vai dar onda com o aquecimento global

Vai dar onda com o aquecimento global
As ondas do mar estão ficando mais fortes em resposta ao aquecimento global. A energia transferida dos ventos para o movimento da superfície do mar aumentou em todas as bacias oceânicas desde 1948, sugeriu estudo cientistas de universidades da Espanha.

O acúmulo de energia pelo sistema climático está provocando alterações no oceano, alertou o estudo. Entre elas, modificações na circulação oceânica e a elevação das temperaturas. Os efeitos também tem sido experimentados nas regiões costeiras.

Um deles está ligado à formação das ondas pelos ventos. As ondas contribuem para a erosão das zonas costeiras e para o transporte de sedimentos, moldando a paisagem. Assim, investigar como esse fenômeno sofrerá as influências de um mundo em aquecimento auxilia na compreensão dos impactos das mudanças climáticas nas zonas costeiras.

Não havia, contudo, um levantamento sistemático, em escala global e de longo prazo, a respeito do comportamento das ondas frente ao aquecimento registrado no último século. Pesquisas anteriores se concentravam em alguns parâmetros, em especial na altura das ondas.

Nas últimas décadas, evidências mostraram uma elevação da altura das ondas. Registrou-se um aumento mais acentuado para os valores extremos do que para as condições médias em regiões de altas latitudes, como o Atlântico e o Pacífico Norte, enquanto o tamanho de ondas extremas diminui em zonas de médias latitudes.

Além de mudanças na altura das ondas, os períodos com ondas se tornaram mais extensos e a direção mudou.

O estudo avaliou a potência das ondas, unidade que mede, durante um período de tempo, o transporte de energia dos ventos para a superfície do mar. Segundo os cientistas, a potência das ondas não tinha sido considerada anteriormente como um possível indicador das mudanças climáticas.

A avaliação abrangeu uma séries de dados de ondas e da temperatura superficial das águas, compreendendo o período entre 1948 e 2017. O objetivo foi identificar se a potência das ondas sofreu alguma interferência devido ao aquecimento global.

O gráfico apresenta a média global da potência das ondas
entre 1948 e 2017 (linha preta). Também estão apresentadas as séries de diferentes
bacias oceânicas: Oceano do Sul (linha vermelha), Oceano Índico (linha amarela),
Oceano Pacífico (linha azul escura) e Oceano Atlântico (linha azul clara).
Fonte: figura 1 do estudo.

Os resultados indicaram que o aquecimento global, por meio da elevação das temperaturas superficiais do oceano, está interferindo na potência das ondas. Entre 1948 a 2008, detectou-se que a potência das ondas cresceu em média a uma taxa de 0,41% ao ano em todo o planeta.

Mas o crescimento se caracterizou por uma grande variação espacial entre as diferentes bacias oceânicas. Isso porque a potência das ondas esteve interligada com as alterações na intensidade dos ventos e na temperatura da água, que variaram geograficamente.

O estudo concluiu que a potência das ondas representa um valioso indicar do aquecimento global. E também alertou para a necessidade de adaptação das zonas costeiras. À medida que a energia das ondas cresce, os impactos como erosão ou inundações podem se intensificar.


Mais informações: Borja G. Reguero, Iñigo J. Losada, Fernando J. Méndez. A recent increase in global wave power as a consequence of oceanic warming. Nature Communications, 2019.
Imagem: Unsplash/ Tim Marshall