O milho constitui o principal tipo de cultivo em todo mundo, ultrapassando a marca de 1 bilhão de toneladas produzidas a partir de 2013. Segundo o estudo, os Estados Unidos abriga a principal área de plantio, sendo realizado por meio de irrigação.
Originário dos trópicos, o milho ainda é cultivado em países da região, usualmente em regimes dependentes da chuva. É o principal grão utilizado para a alimentação humana e animal.
A temperatura ideal de crescimento da planta se situa entre 28°C e 32°C. Ele é mais tolerante à temperaturas elevadas do que outros importantes tipos de grão, como o arroz e o trigo. No entanto, a cultura apresenta sensibilidade às condições climáticas anômalas, em especial as ondas de calor e as secas.
Pesquisas anteriores a respeito dos impactos do aquecimento global sobre a produção agrícola indicaram a cultura de milho como a mais afetada negativamente. Os pesquisadores buscaram detalhar esses efeitos negativos.
Eles desenvolveram uma análise estatística para identificar a influência de ondas de calor e de secas na variabilidade e tendências da produção mundial de milho. Foram levantados e corrigidos os dados nacionais de produção de milho, abrangendo o período entre 1980 e 2010.
A partir de dados climatológicos do mesmo período, o estudo estimou os efeitos dos eventos extremos de ondas de calor e de secas na produção mundial anual.
Em um modelo climático, projetou-se, para um cenário de altas emissões de gases de efeito estufa, a modificação da frequência e da intensidade dos eventos extremos. Com base nos efeitos atuais, o estudo estimou as perdas futuras do cultivo do milho.
Entre 1980 e 2010, verificou-se uma perda na produção de milho devido à ondas de calor e secas em quase todo o mundo. Essas perdas foram compensadas por uma redução dos efeitos da variabilidade climática nos Estados Unidos.
Contudo, a estabilização do cultivo nos Estados Unidos se deu às custas de uma grande crescimento da irrigação, com efeitos insustentáveis sobre os níveis da água subterrânea.
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| Projeção dos efeitos futuros de ondas de calor e secas na produção mundial de milho. Fonte: adaptado da figura 2 do estudo. |
Em relação ao futuro, as simulações mostraram que eventos extremos que ocorrem atualmente uma vez a cada 10 anos se tornarão a norma quando o aquecimento global alcançar 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.
No cenário estudado, esse aquecimento acontece a partir do ano 2020. Os impactos dos extremos se fariam sentir especialmente nos Estados Unidos, mas afetaria também inúmeras outras regiões produtoras. Apenas na Ucrânia e a Rússia o cultivo permaneceria estável.
Em um nível de aquecimento global de 2°C acima dos níveis pré-industriais, o estudo ressaltou que a produção mundial de milho poderia enfrentar uma queda sem precedentes.
Medidas de adaptação serão necessárias para manter a cultura do milho no futuro. Entre elas, a relocação das áreas de plantio ou estratégias de manutenção das áreas atuais.
Mais informações: Zampieri, M., Ceglar, A., Dentener, F., Dosio, A., Naumann, G., Van Den Berg, M., & Toreti, A. (2019). When will current climate extremes affecting maize production become the norm?. Earth's Future.
Imagem: Pixabay


