Conhecida como geleira de Thwaites, ela fica localizada na região da Antártica que está sofrendo rápidas alterações devido ao aquecimento global. Caso derretesse completamente, o gelo presente na região elevaria o nível do mar em cerca de 1,2 metros.
O estudo indicou que o oeste da Antártica representa um dos principais contribuintes para o aumento do nível médio do mar, tanto no presente quanto nas próximas décadas. E um terço da perda de massa total da região tem origem no derretimento da geleira de Thwaites.
Pesquisas mostraram que o fluxo da geleira em direção ao mar, em seu tronco principal, acelerou-se em 33% entre 1973 e 1996. Ela passou a se mover 0,8 km a mais por ano ao longo desse período. Entre 2006 e 2013, o fluxo experimentou uma nova aceleração da mesma ordem de magnitude - 33%.
Com isso, cresceu a quantidade de gelo descarregado pela geleira de Thwaites no mar. Entre 1970–2003 e 2010–2013, estima-se que a descarga de gelo subiu a uma taxa de 2,2 gigatoneladas ao ano. A taxa quadruplicou entre 2003 e 2010, passando para 9,5 gigatoneladas ao ano.
Levantamentos recentes detectaram que partes da geleira recuam até 4 metros por ano.
O leito da geleira de Thwaites fica assentado sobre a rocha do continente, várias centenas de metros abaixo do nível do mar. A causa do derretimento é a invasão de águas mais quentes na base da geleira.
Como a topografia local favorece a intrusão da água do mar, o estudo apontou que a geleira é vulnerável a um processo de rápida retração. De fato, algumas pesquisas sugeriram que a geleira já entrou em um estágio de colapso, e o recuo se tornou irreversível.
A frente de aterramento da geleira - em relação ao mar - recuou de 0,6 a 0,9 quilômetros por ano entre 1996 e 2011. Desde então, não ocorreram novos observações de radar para identificar o estado de derretimento e recuo de Thwaites.
Por meio de um conjunto de dados de satélite, os cientistas identificaram a evolução da velocidade do gelo, da descarga de gelo e do recuo da linha de aterramento da geleira entre 1992 e 2017.
Os resultados revelaram um padrão mas complexo de recuo e derretimento de gelo do que o esperado. Alguns setores da geleira recuaram a uma média de 0,8 quilômetros por ano, e outros a 0,3 quilômetros por ano.
Verificou-se também uma grande variação espacial na taxa de derretimento das plataformas de gelo que cercam a frente da geleira. Enquanto em alguns trechos a taxa de derretimento foi de 50 metros por ano, em outros ela foi 4 vezes superior - 200 metros por ano.
Os dados colocam em questão a visão tradicional da comunidade científica a respeito da interação entre a geleira e as águas do oceano. O processo de retração registrado pelo estudo se revelou bem mais complexo do que o incluído nos modelos computacionais.
A frente de aterramento da geleira de Thwaites apresentou perfis distintos, cada qual com um regime diferente de derretimento do gelo. Canais e cavidades formados pela fusão do gelo na base exercem influência na taxa de recuo, bem como as marés.
Assim, a topografia do leito rochoso pode ter maior ou menor importância, a partir de condições específicas locais. Dependendo da forma das cavidades, as águas do oceano adquirem um acesso mais fácil à base das geleiras, elevando as taxas de derretimento.
Nós concluímos que a forma da cavidade, incluindo a inclinação do leito, as colisões e as cavidades no leito, influencia o acesso do calor do oceano à geleira e as taxas de derretimento induzidas pelo oceano.
Os modelos atuais não incluem esses fatores, ressaltaram os cientistas. Eles recomendaram a realização de estudos mais detalhados de Thwaites e seu regime específico de derretimento. Só assim será possível aprimorar os modelos e as projeções da retração da geleira e sua contribuição para o nível médio do mar.
Mais informações: P. Milillo, E. Rignot, P. Rizzoli, B. Scheuchl, J. Mouginot, J. Bueso-Bello, P. Prats-Iraola. Heterogeneous retreat and ice melt of Thwaites Glacier, West Antarctica. Science Advances, 2019.
Imagem: adaptado de antarcticglaciers.org

