O derretimento das geleiras continentais tem contribuído significativamente para o aumento do nível médio do mar. Mas, em algumas regiões do planeta, as geleiras também cumprem um papel fundamental no ciclo hidrológico.
Segundo o estudo, elas armazenam água no inverno, liberando-a durante o período de estiagem. Assim, alimentam a vazão de cursos d'água, sendo vitais para o abastecimento humano e para outros usos. Isso ocorre, por exemplo, em grandes sistemas fluviais do sul e do centro da Ásia.
A retração das geleiras poderá afetar os fluxos de água. E, portanto, trazer impactos para os usos e para a agricultura praticada por milhões de pessoas. Compreender melhor a trajetória futura das geleiras, em um contexto de aquecimento global, é uma tarefa imprescindível para o planejamento e a adaptação.
Os cientistas desenvolveram um modelo computacional de evolução do gelo glaciar. Levando-se em conta um cenário de altas emissões de gases de efeito estufa, eles simularam as alterações futuras do volume das geleiras.
O estudo projetou que as geleiras de todo o mundo, à exceção daquelas na periferia da calota polar da Antártica, poderão perder em média 64% do volume atual até 2100. Como consequência, o derretimento das geleiras se converterá em um aumento de cerca de 22 centímetros do nível médio do mar.
As regiões potencialmente mais afetadas, com perdas de volume superiores a 75%, incluíram o Alasca, o oeste do Canadá e dos Estados Unidos, a Islândia, a Escandinávia, o Ártico russo, a Europa Central, o Cáucaso, as altas montanhas da Ásia alta montanha, o sul dos Andes e a Nova Zelândia.
Os resultados mostraram que bacias hidrográficas alimentadas por geleiras poderão ser severamente afetadas no futuro. O estudo recomendou o aprimoramento do modelo de gelo glaciar, a fim de aprimorar as projeções.
Mais informações: Shannon, Sarah, et al. "Global glacier volume projections under high-end climate change scenarios." The Cryosphere13.1 (2019): 325-350.
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