A alteração na frequência de chuvas extremas foi detectada por estudo de cientistas de universidades brasileiras e do Reino Unido. Concluiu-se que o mais provável é que a chance de chuvas extremas na bacia do rio Uruguai tenha aumentado cerca de cinco vezes.
Com extensão total de mais de 1.700 quilômetros, o rio Uruguai é formado pelo encontro das águas do rio Pelotas com o rio Canoas, e marca a fronteira entre os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Quando passa a correr em direção sul, ele demarca a divisa do Brasil com a Argentina, e, no baixo curso, as fronteiras da Argentina com o Uruguai, até desaguar no rio da Prata.
De acordo com o estudo, no final do século passado se observou uma tendência positiva na quantidade de chuvas na bacia hidrográfica e no fluxo do rio Uruguai. Uma pesquisa anterior havia identificado que a tendência não estaria relacionada à alterações no uso e ocupação do solo na bacia. Ela se devia principalmente ao aumento das precipitações.
Em consequência, também cresceram os impactos provocados pelas enchentes do rio Uruguai. A nova realidade trouxe consigo o interesse em investigar as causas por trás da alteração na frequência das enchentes. Para tanto, os cientistas apontaram a necessidade de avaliar se a tendência refletiria as mudanças climáticas.
Nesse sentido, o estudo avaliou os fatores meteorológicos associados aos eventos de chuvas extremas na bacia do rio Uruguai. Primeiro, reuniu-se os dados meteorológicos de precipitação do período compreendido entre 1979 e 2017. Em seguida, através de um modelo climáticos, foram realizadas dois conjuntos de simulações, o primeiro incluindo a influência do aquecimento global e o segundo, não.
Os resultados sugeriram que, no contexto do atual aquecimento global, o risco de chuvas extremas como aquelas ocorridas entre abril e maio de 2017 subiu em pelo menos 2 vezes na bacia do rio Uruguai. O estudo estimou que o aumento médio da frequência de extremos de precipitação foi de aproximadamente 5 vezes.
Todavia, as conclusões apresentam incertezas, em particular em termos da magnitude da contribuição do aquecimento global e da alteração do uso e ocupação dos solos para a tendência positiva. Os cientistas recomendaram a continuidade de pesquisas, a fim de monitorar e aprofundar o conhecimento sobre as condições climáticas da bacia do rio Uruguai.
Mais informações: de Abreu, Rafael C., et al. "Contribution of Anthropogenic Climate Change to April–May 2017 Heavy Precipitation over the Uruguay River Basin." Bulletin of the American Meteorological Society 100.1 (2019): S37-S41.
Imagem: Defesa Civil do Rio Grande do Sul
