Ondas de calor mais frequentes, intensas e longas

Ondas de calor mais frequentes, intensas e longas
Fotografia do sol incidindo sobre a rua de uma cidade

As ondas de calor consecutivas - ou compostas - irão aumentar em frequência, intensidade e duração à medida que avança o aquecimento global. Elas responderão pela maior parte dos riscos introduzidos por alterações em ondas de calor no futuro, alertou estudo de cientistas dos Estados Unidos.

Podem ser caracterizados como ondas de calor os dias múltiplos, consecutivos e com temperaturas acima do normal. O fenômeno causa severos impactos para a saúde humana e para o rendimento da agropecuária. Segundo o estudo, o aquecimento levou a aumentos na frequência, duração e intensidade das ondas de calor. E as projeções indicam um agravamento dessa tendência.

Para um cenário de altas emissões de gases de efeito estufa, projeta-se que eventos extremos de ondas de calor passem a ocorrer a cada poucos anos até 2100 em diversas regiões do mundo. É o caso, por exemplo, da onda de calor que se abateu sobre a Rússia em 2010, levando a cerca de 56.000 mortes. E se o aquecimento global for limitado a 2ºC acima dos níveis pré-industriais, como estabelece o acordo climático de Paris, partes dos trópicos passariam a conviver com um estado de ondas de calor constante.

A fim de investigar os possíveis efeitos do aquecimento, os cientistas adotaram uma abordagem diferente. Em vez de se limitar a eventos com dias seguidos de calor excessivo, eles consideraram eventos compostos, formados por uma sequência de dias de altas temperaturas com interrupções curtas intermitentes.

Gráfico ilustrando o fenômeno de ondas de calor compostas
O gráfico ilustra uma onde de calor composta. Nela, dias com temperaturas (H)
 acima do normal (linha vermelha) ocorrem em sequência, separados
por dias com temperaturas menores. Fonte: figura 2 do estudo.

Combinando dados observacionais com um modelo climático, ele simularam as possíveis alterações no comportamento do evento extremo para diversos cenários futuros. Os resultados indicaram um aumento na proporção de dias das ondas de calor.

Para pequenos aumentos da temperatura média global - menores do que 1,5ºC -, as simulações mostraram um crescimento maior das ondas de calor compostas nos trópicos, em comparação com as demais regiões do planeta. Níveis mais elevados de aumento da temperatura, por sua vez, trariam uma mudança de regime nos trópicos. Todos os dias do verão se tornariam quentes e, sem intervalos, não haveriam mais ondas de calor compostas.

O verão se transformaria em uma longa e contínua onda de calor. Já em outras regiões do planeta, a frequência das ondas de calor compostas subiria junto com a temperatura média global, mais que dobrando para um aquecimento entre 1ºC e 3ºC. Nessas regiões, eventos compostos passariam a responder por uma proporção maior dos riscos associados às ondas de calor.

Nesse sentido, o planejamento e a adaptação às ondas de calor no futuro terão de considerar a possibilidade da ocorrência de eventos compostos. E os trópicos precisarão se adaptar a um novo regime.


Mais informações: Baldwin, Jane Wilson, et al. "Temporally Compound Heat Wave Events and Global Warming: An Emerging Hazard." Earth's Future.