Incluindo macacos, micos, lêmures, entre outros, os primatas atualmente estão diante de uma iminente crise de extinção. Segundo o estudo, os principais fatores são a grande perda de habitat, as mudanças no uso da terra e a caça.
Nesse contexto, as mudanças climáticas surgem como uma ameaça adicional. Sozinha ou em combinação com os outros fatores, elas tem o potencial de impactar severamente as espécies de primatas, em especial aquelas sem capacidade de migrar para ou encontrar novas zonas com condições ambientais adequadas.
O estudo investigou os riscos relacionados às mudanças climáticas e ao uso da terra, aos quais os primatas ficarão expostos no futuro. A análise inclui 426 diferentes espécies presentes na Lista Vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza - IUCN.
Através de modelos computacionais, os cientistas projetaram alterações climáticas e de uso do solo para o ano de 2050. Foram considerados um cenários de baixas e outro de altas emissões de gases de efeito estufa. O estudo examinou se as alterações variavam de acordo com a região, o estado de conservação, a extensão e o habitat dominante.
Os resultados sugeriram que grande porcentagem dos primatas experimentará um crescimento substancial da temperatura e grandes alterações de habitat nos próximos 30 anos. Os macacos que vivem nos trópicos da América do Sul se mostraram altamente vulneráveis. Para eles, as mudanças climáticas e ambientais constituem um alto risco de extinção.
No cenário de altas emissões, 74% dos primatas neotropicais de florestas ficariam expostos a aumentos máximos de temperatura de até 7°C até 2050. Em comparação, 38% dos primatas das savanas de Madagascar, na África, experimentariam um aquecimento mais brando, de até 3,5°C.
As projeções estabeleceram uma expansão de 50% da agricultura em áreas de aproximadamente um quarto dos primatas asiáticos e africanos. De modo geral, os habitats intactos teriam uma perda significativa, enquanto a área de habitats perturbados subiriam em até 98%.
Do total de espécies examinadas, 86% poderiam ficar expostas a aumentos máximos de temperatura superiores a 3°C, em especial nos trópicos sul-americanos. O crescimento extremo da temperatura - em cenários de altas emissões - provavelmente superaria a tolerância térmica de muitas espécies, ressaltaram os cientistas.
Medidas de mitigação do aquecimento global são urgentes, alertou o estudo. Elas devem ser implementadas a fim de se evitar extinções de primatas em uma escala sem precedentes.
Fonte: Universidade de Stirling
Mais informações: Carvalho, JS, Graham, B, Rebelo, H, et al. A global risk assessment of primates under climate and land use/cover scenarios. Glob Change Biol. 2019; 00: 1– 16.
Imagem: Flickr/ Felipe Tocchetto
