s águas tropicais do Oceano Pacífico estão ligadas às condições climáticas no oeste da Antártica. A conexão entre as duas áreas foi identificada por estudo de um grupo de cientistas de universidades dos Estados Unidos, e pode contribuir para o entendimento dos efeitos do aquecimento global sobre a calota polar antártica.
A partir da década de 1990, a porção oeste da calota polar passou a derreter e perder massa, contribuindo para o aumento do nível médio do mar. O derretimento teve início quando padrões climáticos da região se modificaram.
Entre as décadas de 1950 a 1990, a Península Antártica e o interior do oeste da Antártica apresentavam as taxas de aquecimento mais rápidas de todo o planeta, enquanto que a região costeira, próxima da plataforma de gelo de Ross, mostrava tendência de esfriamento.
Depois de 1990, o cenário se inverteu. A região costeira experimentou um aquecimento das temperaturas, e a Península Antártica e o interior do oeste da calota polar da Antártica, uma diminuição.
O regime de vento e as condições do Tempo são cruciais para o ganho ou perda de massa da calota polar. São os ventos que influenciam a circulação do oceano no litoral do oeste da Antártica, empurrando águas mais quentes em direção à calota polar.
As águas penetram por baixa da massa de gelo, provocando o derretimento. Além disso, as condições do Tempo podem trazer frentes de ar mais quente ou chuva, fazendo com que o gelo da superfície também derreta. É o primeiro fenômeno, no entanto, que atualmente domina a retração observada na calota polar antártica.
O estudo investigou uma possível conexão entre a zona tropical da Zona de Convergência do Pacífico Sul e as condições climáticas no oeste da Antártica. Essa zona experimentou um aquecimento acelerado das águas, acompanhado de uma elevação das chuvas convectivas em sua porção sudoeste, ao mesmo tempo em que a região costeira da Antártica se aqueceu - a partir da década de 1990.
Para tanto, os cientistas utilizaram um modelo climático. Eles simularam as condições observadas na Zona de Convergência do Pacífico Sul. Em resposta, o modelo apresentou uma mudança na circulação atmosférica regional ao longo da costa oeste da Antártica.
O aquecimento das águas na Zona de Convergência provocava uma maior atividade de tempestades, chuvas e processos de convecção na zona tropical. Simultaneamente, o regime de ventos se alterava sobre a Península Antártica e a região costeira da plataforma de gelo de Ross, levando ao resfriamento da primeira e aquecimento da segunda.
A partir daí, os cientistas sugeriram uma conexão entre o Oceano Pacífico tropical e as condições climáticas do oeste da Antártica. Esse conhecimento irá contribuir para interpretar as variações registradas na calota polar no passado, e aprimorar as projeções futuras.
Fonte: Rutgers
Mais informações: Clem, K. R., Lintner, B. R., Broccoli, A. J., & Miller, J. R. ( 2019). Role of the South Pacific Convergence Zone in West Antarctic decadal climate variability. Geophysical Research Letters, 46, 6900– 6909.
Imagem: Flickr/ Jack P
Oceano Pacífico tropical influi na clima antártico
