A cidade de Curitiba, capital do Paraná, pode estar experimentando os efeitos do aquecimento global na forma do aumento da poluição do ar. A concentração do ozônio troposférico subiu na última década, apontou estudo de pesquisador da Universidade Federal do Paraná.
O ozônio troposférico - O3 - se origina a partir de outro poluente, o dióxido de nitrogênio - NO2 -, cuja principal fonte é a queima de combustíveis fósseis por veículos. Altamente sensível à luz e à radiação solar, a molécula do NO2 pode ser quebrada, um processo denominado de fotólise, em óxido nítrico - NO - e um átomo de oxigênio.
Por sua vez, o NO pode interagir com compostos voláteis orgânicos. O resultado é a produção de ozônio troposférico. O ozônio pode causar danos à saúde humana. Por exemplo, o agravamento dos sintomas de asma, de deficiência respiratória, e outras doenças pulmonares e cardiovasculares. A exposição prolongada ao ozônio pode levar a uma diminuição da capacidade pulmonar, ao aparecimento de asma, ou a uma queda na expectativa de vida.
O aquecimento global e as mudanças climáticas poderão repercutir na poluição atmosférica das cidades. Fatores meteorológicos estão envolvidos na dispersão e na diluição dos poluentes. Nesse sentido, as condições meteorológicas serão mais ou menos favoráveis à poluição do ar nos centros urbanos.
De acordo com o estudo, no caso do O3, a concentração atmosférica do gás possui uma íntima relação com a temperatura. O calor acelera o processo de formação do ozônio, cujos níveis podem subir em resposta ao aumento da temperatura, mesmo sem alterações nos níveis de NO e de compostos orgânicos voláteis.
Para investigar se o aquecimento teria consequências nos níveis do poluente, o pesquisador utilizou dados da cidade de Curitiba. Série de dados horários das concentrações de NO2 e O3, de duas estações de monitoramento, e cobrindo o período entre 2005 e 2014, foram analisadas.
Os resultados mostraram tendências divergentes. A concentração de NO2, poluente que é a origem do ozônio troposférico, caiu ao longo do período analisado. A concentração do O3, no entanto, apresentou uma tendência de concentrações crescentes.
A hipótese sugerida pelo estudo foi de que o aumento da poluição de O3 seria consequência do aumento das temperaturas em Curitiba. O levantamento realizado, contudo, ainda possui um caráter preliminar, e precisa ser complementado por outras pesquisas.
Ainda assim, os resultados indicam para a possibilidade do aquecimento global piorar a poluição atmosférica causada pelo ozônio troposférico nas cidades.
Mais informações: CASTELHANO, F. J. OZÔNIO TROPOSFÉRICO E MUDANÇAS CLIMÁTICAS: EVIDÊNCIAS INTRODUTÓRIAS EM CURITIBA/PR.
Imagem: Unsplash/ Rodrigo Kugnharski
Poluição em Curitiba pode ter piorado devido ao aquecimento
