Produtores rurais favoráveis à silvicultura

Produtores rurais favoráveis à silvicultura
Fotografia de local no município de Santa Rosa de Lima
Os produtores rurais podem ter uma postura positiva em favor de práticas silvipastoris, que incluem o plantio de árvores junto à pastagem. Com isso, é possível instituir políticas públicas voltadas à mitigação do aquecimento global pelo setor agropecuário. A constatação foi realizada por estudo de pesquisadores de universidades brasileiras e dos Estados Unidos.

Práticas silvipastoris constituem sistemas de produção que, ao mesmo tempo, promovem a reabilitação dos ecossistemas. Esse resultado ocorre por meio da integração árvores, pastagens e animais zootécnicos na mesma área e simultaneamente. Segundo o estudo, a prática combina produção de alimentos com a restauração de múltiplas funções e serviços ecossistêmicos.

Mas converter esse tipo de prática em uma política pública de sucesso dependeria também do ponto de vista e interesse do produtor rural. Buscando investigar a questão, os pesquisadores levantaram o nível de conhecimento dos produtores e sua aceitação prévia. Eles entrevistaram 60 produtores de leite do município de Santa Rosa de Lima, em Santa Catarina.

Em relação à adoção de práticas silvipastoris, os produtores mostraram um posicionamento pró-ativo. Eles entendiam que a integração das árvores à pastagem traria consigo a geração de bens e serviços ecossistêmicos. A proposta de práticas silvipastoris foi bem aceita pela maioria dos entrevistados, independentemente do tipo de produção – se semi-confinamento tradicional ou se à base de pasto.

Identicou-se dois grupos com perfis diferentes. No primeiro, a maioria dos produtores aplicava o manejo rotativo de pastagens. Grande parte já conhecia o sistema silvipastoril e avaliava que a introdução de árvores não afetaria a produtividade da pastagem. Eles reconheciam que a produção contribuía para o aquecimento global, e que a nova prática poderia mitigar os seus efeitos.

O segundo grupo, na maioria com um sistema tradicional, não havia sido informado previamente sobre o sistema silvipastoril. Eles não percebiam a relação da propriedade com o aquecimento global e as mudanças climáticas. Viam a introdução de árvores como potencialmente redutoras da
produtividade da pastagem, mas trazendo benefícios especialmente para a biodiversidade local.

Frente à grande aceitação do sistema silvipastoril entre os produtores rurais, os pesquisadores concluíram que políticas públicas para a disseminação da prática seriam viáveis. Com o cuidado para se adequar aos perfis diferentes dos dois grupos identificados.

Mais informações: Joseph, L., Filho, A. S., Sinisgalli, P., Farley, J., & Zambiazi, D. (2019). Sistemas silvipastoris e serviços ecossistémicos: a visão dos produtores de leite do Sul do Brasil. Revista de Ciências Agrárias, 42(3), 829-841.
Imagem: Prefeitura de Santa Rosa de Lima Prefeitura